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CBHPM: o que é a tabela que define seu honorário (e por que o convênio paga menos)

A CBHPM classifica cada procedimento em um dos 14 portes, agrupados em subportes A, B e C. O honorário sai do porte multiplicado pelo valor do porte, mais UCO, porte anestésico e o número de auxiliares previstos. A tabela ordena por complexidade; ela não fixa o preço sozinha.

Por isso o convênio quase sempre paga abaixo do que você calculou. O que vale é a edição da CBHPM e o valor do porte que estão no seu contrato, não a correção mais recente que a AMB publicou.

Confira no contrato qual edição foi acordada e qual o valor do porte. Sem esses dois números, não dá para saber se o repasse veio certo.

O porte é o ponto fraco na hora da glosa: rebaixar o porte de uma cirurgia é a forma mais comum de pagar menos sem recusar o procedimento.

Você cobrou pela cirurgia seguindo a tabela, e o repasse caiu menor. Quando questiona, ouve sempre a mesma resposta: "pagamos pela CBHPM". O que ninguém diz é por qual CBHPM: de que ano, com qual valor de porte, e se ela algum dia foi corrigida.

A CBHPM é a tabela de referência do honorário médico no Brasil. Quem entende como ela funciona para de aceitar repasse menor sem saber o porquê. Dá para apontar que um porte 3A foi pago como 2B, em vez de só sentir que o mês veio fraco.

Consulta rápida: o porte das cirurgias mais comuns

Se você veio até aqui para saber quanto vale um procedimento, comece por esta tabela. São os portes da CBHPM para algumas das cirurgias mais frequentes, com o código e o número de auxiliares que a tabela prevê.

Procedimento Código Porte Aux.
Herniorrafia inguinal unilateral 31009115 6C 1
Herniorrafia incisional 31009107 7A 1
Herniorrafia inguinal unilateral por videolaparoscopia 31009336 7B 1
Apendicectomia 31003079 8A 2
Cesariana (feto único ou múltiplo) 31309054 8B 1
Colecistectomia sem colangiografia 31005128 8C 2
Apendicectomia por videolaparoscopia 31003583 9C 2
Colecistectomia sem colangiografia por videolaparoscopia 31005497 9C 2
Colecistectomia com colangiografia por videolaparoscopia 31005470 10A 2
Gastroplastia para obesidade mórbida 31002218 10C 2
Gastroplastia para obesidade mórbida por videolaparoscopia 31002390 12B 2

Duas coisas saltam dessa lista, e valem para quase toda a tabela.

A via de acesso muda o porte. A colecistectomia sem colangiografia é 8C aberta e 9C por videolaparoscopia. A herniorrafia inguinal unilateral sobe de 6C para 7B pelo mesmo motivo. É a mesma doença, no mesmo paciente, com porte diferente. Por isso a via precisa estar descrita na guia: quando ela não está, quem arbitra é o auditor.

Cada passo a mais sobe um degrau. Acrescentar a colangiografia leva a colecistectomia por vídeo de 9C para 10A. Parece pouco no papel, e não é pouco no repasse.

O que a tabela sozinha não responde é quanto vale cada um desses portes em reais. É exatamente aí que a conversa com a operadora começa.

O que é a CBHPM

CBHPM é a sigla de Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos. É uma tabela mantida pela Associação Médica Brasileira (AMB), junto com as sociedades de especialidade, que lista os procedimentos de todas as áreas e os organiza por complexidade.

A função dela é servir de parâmetro de remuneração: uma referência comum para quanto cada procedimento vale em relação aos outros, na hora de a operadora pagar o médico. Sem uma referência dessas, cada convênio arbitraria o próprio preço para cada ato, e o cirurgião não teria com o que comparar.

Só que tem um ponto que quase ninguém explica direito:

R$ 0 é quanto a tabela CBHPM define em reais. Ela só hierarquiza os procedimentos por porte; o valor de cada porte é negociado no seu contrato com a operadora. É nesse espaço que o convênio aperta.

Como o porte vira dinheiro

Cada procedimento na CBHPM tem um porte, que é a medida da sua complexidade. São 14 portes, agrupados em três subportes (A, B e C) e escritos como um número seguido de uma letra: 1A, 2B, 3C, e por aí vai. Quanto maior o porte, maior o honorário de referência.

O que você recebe junta algumas peças:

Na prática, a tabela dá o tamanho do procedimento, e o contrato com a operadora dá o preço de cada tamanho. Um não vale sem o outro. Saber que uma cirurgia é porte 3B não diz nada sobre o repasse enquanto você não souber quanto aquela operadora paga por um 3B, e por qual edição da tabela.

Por que o convênio quase sempre paga menos

A edição em vigor é a CBHPM 2022, a mais recente publicada pela AMB. Mesmo assim, a maioria das operadoras não paga por ela: paga por tabela própria ou por uma edição antiga, com valores de porte bem abaixo dos atuais.

O mais comum é o congelamento. O contrato fixa uma edição de anos atrás, "CBHPM 2010", por exemplo, e nunca corrige o valor do porte. O número no papel continua o mesmo, mas a inflação come o honorário ano após ano. Você acha que está sendo pago pela tabela. E está, só que por uma que parou no tempo.

O que conferir no seu contrato com cada operadora:

  • Qual edição da CBHPM ele referencia, e se é a vigente ou uma congelada.
  • Qual o valor do porte e da UCO efetivamente pagos.
  • Se há correção anual do valor do porte, e por qual índice.
  • Se incide algum deflator (redução percentual) sobre a tabela.

Sem essas respostas, dizer que "o convênio paga pela CBHPM" não significa nada. A Lei 13.003/2014 obriga que esses critérios estejam no contrato escrito, e ter uma via para ler é direito seu.

CBHPM e glosa: o porte é o ponto fraco

O porte não some só no contrato. Some também na auditoria. Quando o auditor da operadora rebaixa o porte, paga um 3A como 2B, recusa o porte de um procedimento associado ou não reconhece o auxiliar, o repasse cai sem que a cirurgia tenha mudado. Isso é glosa técnica, e dá para recorrer. O guia sobre glosa de convênio explica os tipos de glosa e o que a Resolução CFM 2.448/25 mudou no recurso.

A defesa é a mesma para o contrato congelado e para o porte rebaixado: ter registrado, procedimento a procedimento, o código e o porte CBHPM e o valor cobrado, para comparar com o que de fato caiu.

Como o MedFIN te ajuda a cobrar pelo porte certo

O MedFIN nasceu dentro do centro cirúrgico. Registrar o que foi cobrado, com código e porte, é o primeiro passo para não aceitar repasse menor calado.

Lance a cirurgia com o código. Convênio, hospital, código CBHPM e valor cobrado, na hora, entre um paciente e outro. Procedimentos recorrentes ficam salvos para lançar em um toque.

Tela de Produção Médica do MedFIN, com cobrado, recebido e pendente por procedimento e o código CBHPM de cada cirurgia
Produção médica no MedFIN: cobrado, recebido e pendente, procedimento a procedimento.

Confira o recebido contra o cobrado. Quando o repasse cai, você marca o valor recebido. Se veio menos, a diferença vira glosa rastreada, inclusive porte rebaixado, com o motivo registrado e o ranking por convênio no Glosa Tracker (MedFIN Pro). Em vez de chegar na renegociação com "acho que a operadora X paga mal", você chega com "a operadora X me pagou 18% das colecistectomias com porte abaixo do contratado no último semestre".

Comece com 14 dias grátis no plano anual. O Glosa Tracker completo, com ranking por convênio e evolução mensal, é parte do MedFIN Pro (R$ 39,90/mês ou R$ 259/ano; no plano anual, a primeira cobrança só vem depois do teste).

Entender a CBHPM ajuda a saber se o valor está certo. Mas o convênio também atrasa: quando o problema é a demora, e não o corte, veja o guia sobre prazo de pagamento do convênio. Se a sua perda está no plantão, o guia sobre calote em plantão cobre o hospital que não paga. No fundo, é tudo a mesma história: por que a renda alta do médico raramente vira reserva.

O convênio está pagando o porte certo das suas cirurgias?
Se você não tem como comparar, é esse o problema que o MedFIN resolve.

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Perguntas frequentes

O que é a tabela CBHPM?

A CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos) é a tabela de referência de honorários médicos mantida pela Associação Médica Brasileira (AMB) junto com as sociedades de especialidade. Ela lista os procedimentos de todas as especialidades e os hierarquiza por complexidade, servindo de parâmetro para a remuneração paga pelas operadoras de planos de saúde. Funciona como a referência que diz quanto cada procedimento vale em relação aos outros.

Como se calcula o honorário pela CBHPM?

A CBHPM não traz valores em reais: ela define o porte de cada procedimento. O honorário sai da multiplicação do porte pelo valor do porte (o valor em reais de cada porte, corrigido pela AMB pela inflação e negociado no seu contrato), somado à UCO (Unidade de Custo Operacional) e, quando há, ao porte anestésico e ao número de auxiliares previstos. Na prática, a tabela define o tamanho do procedimento, e o contrato com a operadora define quanto cada tamanho vale em reais.

O que significa o porte (por exemplo, 3A) de um procedimento?

O porte é a medida de complexidade do procedimento na CBHPM. São 14 portes, agrupados em três subportes (A, B e C) e escritos como um número seguido de uma letra: 1A, 2B, 3C, e assim por diante. Quanto maior o porte, maior o honorário de referência. Por isso o porte é o centro de muitas glosas: quando o auditor rebaixa o porte (paga um 3A como 2B), o repasse cai sem que o procedimento tenha mudado.

Qual o porte da colecistectomia videolaparoscópica na CBHPM?

A colecistectomia sem colangiografia por videolaparoscopia (código 31005497) é porte 9C e prevê 2 auxiliares. Sem videolaparoscopia (código 31005128) ela cai para 8C, e com colangiografia por videolaparoscopia (código 31005470) sobe para 10A. É um bom exemplo de como a via de acesso e os passos do procedimento mudam o porte da mesma cirurgia. Lembrando que o porte não é um preço: ele define o tamanho do procedimento, e o valor em reais de cada porte é o que está negociado no seu contrato com a operadora.

Por que o convênio paga menos do que a CBHPM?

Porque a maioria das operadoras paga por tabela própria ou por uma edição antiga da CBHPM, não pela vigente (hoje, a edição 2022), com valores de porte bem abaixo dos atualizados pela AMB. É comum o contrato fixar uma edição de anos atrás e nunca corrigir o valor do porte: a inflação corrói o honorário ano após ano sem que o número no contrato mude. Por isso, mais do que perguntar se o convênio paga pela CBHPM, vale saber por qual edição, com qual valor de porte e se há correção.

Como sei se o convênio está pagando o porte certo?

Registrando cada procedimento com o código e o porte CBHPM e o valor cobrado, e conferindo o que foi efetivamente pago, item a item. É o que o MedFIN faz: você lança a cirurgia com o código, marca o recebimento quando o repasse cai, e o app mostra a diferença, inclusive porte rebaixado, que entra como glosa rastreada por convênio.

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