CBHPM: o que é a tabela que define seu honorário (e por que o convênio paga menos)
Você cobrou pela cirurgia seguindo a tabela, e o repasse caiu menor. Quando questiona, ouve sempre a mesma resposta: "pagamos pela CBHPM". O que ninguém diz é por qual CBHPM: de que ano, com qual valor de porte, e se ela algum dia foi corrigida.
A CBHPM é a tabela de referência do honorário médico no Brasil. Quem entende como ela funciona para de aceitar repasse menor sem saber o porquê. Dá para apontar que um porte 3A foi pago como 2B, em vez de só sentir que o mês veio fraco.
O que é a CBHPM
CBHPM é a sigla de Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos. É uma tabela mantida pela Associação Médica Brasileira (AMB), junto com as sociedades de especialidade, que lista os procedimentos de todas as áreas e os organiza por complexidade.
A função dela é servir de parâmetro de remuneração: uma referência comum para quanto cada procedimento vale em relação aos outros, na hora de a operadora pagar o médico. Sem uma referência dessas, cada convênio arbitraria o próprio preço para cada ato, e o cirurgião não teria com o que comparar.
Só que tem um ponto que quase ninguém explica direito:
Como o porte vira dinheiro
Cada procedimento na CBHPM tem um porte, que é a medida da sua complexidade. São 14 portes, agrupados em três subportes (A, B e C) e escritos como um número seguido de uma letra: 1A, 2B, 3C, e por aí vai. Quanto maior o porte, maior o honorário de referência.
O que você recebe junta algumas peças:
- Porte × valor do porte. O valor do porte é quanto, em reais, cada porte vale. A AMB corrige essa referência pela inflação do período (INPC), mas o número que vale para você é o que está no seu contrato.
- UCO (Unidade de Custo Operacional), que cobre o custo operacional do procedimento.
- Porte anestésico, a parte do anestesista, quando há.
- Número de auxiliares, quantos o procedimento prevê.
Na prática, a tabela dá o tamanho do procedimento, e o contrato com a operadora dá o preço de cada tamanho. Um não vale sem o outro. Saber que uma cirurgia é porte 3B não diz nada sobre o repasse enquanto você não souber quanto aquela operadora paga por um 3B, e por qual edição da tabela.
Por que o convênio quase sempre paga menos
A edição em vigor é a CBHPM 2022, a mais recente publicada pela AMB. Mesmo assim, a maioria das operadoras não paga por ela: paga por tabela própria ou por uma edição antiga, com valores de porte bem abaixo dos atuais.
O mais comum é o congelamento. O contrato fixa uma edição de anos atrás, "CBHPM 2010", por exemplo, e nunca corrige o valor do porte. O número no papel continua o mesmo, mas a inflação come o honorário ano após ano. Você acha que está sendo pago pela tabela. E está, só que por uma que parou no tempo.
O que conferir no seu contrato com cada operadora:
- Qual edição da CBHPM ele referencia, e se é a vigente ou uma congelada.
- Qual o valor do porte e da UCO efetivamente pagos.
- Se há correção anual do valor do porte, e por qual índice.
- Se incide algum deflator (redução percentual) sobre a tabela.
Sem essas respostas, dizer que "o convênio paga pela CBHPM" não significa nada. A Lei 13.003/2014 obriga que esses critérios estejam no contrato escrito, e ter uma via para ler é direito seu.
CBHPM e glosa: o porte é o ponto fraco
O porte não some só no contrato. Some também na auditoria. Quando o auditor da operadora rebaixa o porte, paga um 3A como 2B, recusa o porte de um procedimento associado ou não reconhece o auxiliar, o repasse cai sem que a cirurgia tenha mudado. Isso é glosa técnica, e dá para recorrer. O guia sobre glosa de convênio explica os tipos de glosa e o que a Resolução CFM 2.448/25 mudou no recurso.
A defesa é a mesma para o contrato congelado e para o porte rebaixado: ter registrado, procedimento a procedimento, o código e o porte CBHPM e o valor cobrado, para comparar com o que de fato caiu.
Como o MedFIN te ajuda a cobrar pelo porte certo
O MedFIN nasceu dentro do centro cirúrgico. Registrar o que foi cobrado, com código e porte, é o primeiro passo para não aceitar repasse menor calado.
Lance a cirurgia com o código. Convênio, hospital, código CBHPM e valor cobrado, na hora, entre um paciente e outro. Procedimentos recorrentes ficam salvos para lançar em um toque.
Confira o recebido contra o cobrado. Quando o repasse cai, você marca o valor recebido. Se veio menos, a diferença vira glosa rastreada, inclusive porte rebaixado, com o motivo registrado e o ranking por convênio no Glosa Tracker (MedFIN Pro). Em vez de chegar na renegociação com "acho que a operadora X paga mal", você chega com "a operadora X me pagou 18% das colecistectomias com porte abaixo do contratado no último semestre".
O registro básico funciona no plano gratuito. O Glosa Tracker completo, com ranking por convênio e evolução mensal, é parte do MedFIN Pro (R$ 29/mês ou R$ 259/ano, com 14 dias de teste grátis no plano anual).
Entender a CBHPM ajuda a saber se o valor está certo. Mas o convênio também atrasa: quando o problema é a demora, e não o corte, veja o guia sobre prazo de pagamento do convênio. Se a sua perda está no plantão, o guia sobre calote em plantão cobre o hospital que não paga. No fundo, é tudo a mesma história: por que a renda alta do médico raramente vira reserva.
O convênio está pagando o porte certo das suas cirurgias?
Se você não tem como comparar, é esse o problema que o MedFIN resolve.
Perguntas frequentes
O que é a tabela CBHPM?
A CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos) é a tabela de referência de honorários médicos mantida pela Associação Médica Brasileira (AMB) junto com as sociedades de especialidade. Ela lista os procedimentos de todas as especialidades e os hierarquiza por complexidade, servindo de parâmetro para a remuneração paga pelas operadoras de planos de saúde. Funciona como a referência que diz quanto cada procedimento vale em relação aos outros.
Como se calcula o honorário pela CBHPM?
A CBHPM não traz valores em reais: ela define o porte de cada procedimento. O honorário sai da multiplicação do porte pelo valor do porte (o valor em reais de cada porte, corrigido pela AMB pela inflação e negociado no seu contrato), somado à UCO (Unidade de Custo Operacional) e, quando há, ao porte anestésico e ao número de auxiliares previstos. Na prática, a tabela define o tamanho do procedimento, e o contrato com a operadora define quanto cada tamanho vale em reais.
O que significa o porte (por exemplo, 3A) de um procedimento?
O porte é a medida de complexidade do procedimento na CBHPM. São 14 portes, agrupados em três subportes (A, B e C) e escritos como um número seguido de uma letra: 1A, 2B, 3C, e assim por diante. Quanto maior o porte, maior o honorário de referência. Por isso o porte é o centro de muitas glosas: quando o auditor rebaixa o porte (paga um 3A como 2B), o repasse cai sem que o procedimento tenha mudado.
Por que o convênio paga menos do que a CBHPM?
Porque a maioria das operadoras paga por tabela própria ou por uma edição antiga da CBHPM, não pela vigente (hoje, a edição 2022), com valores de porte bem abaixo dos atualizados pela AMB. É comum o contrato fixar uma edição de anos atrás e nunca corrigir o valor do porte: a inflação corrói o honorário ano após ano sem que o número no contrato mude. Por isso, mais do que perguntar se o convênio paga pela CBHPM, vale saber por qual edição, com qual valor de porte e se há correção.
Como sei se o convênio está pagando o porte certo?
Registrando cada procedimento com o código e o porte CBHPM e o valor cobrado, e conferindo o que foi efetivamente pago, item a item. É o que o MedFIN faz: você lança a cirurgia com o código, marca o recebimento quando o repasse cai, e o app mostra a diferença, inclusive porte rebaixado, que entra como glosa rastreada por convênio.