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Fusão Afya e Yduqs cria o maior grupo de ensino médico do país: o que muda para o médico

Em 23 de setembro de 2026, Afya e Yduqs assinaram um acordo de fusão que cria o maior grupo de ensino médico do Brasil, com 5.888 vagas anuais de medicina, cerca de 14% das vagas privadas do país, e cerca de 38 mil alunos de medicina.

A Yduqs incorpora a Afya, mas os acionistas da Afya ficam com 69% do novo grupo, e a Bertelsmann, controladora da Afya, com cerca de 47%. A operação depende do Cade e das assembleias de acionistas, entre outras condições, com conclusão esperada em até 12 meses.

Além da graduação, o grupo reúne preparatório para residência, pós-graduação e ferramentas como Whitebook e iClinic. Para o médico, a fusão concentra vagas que já existem, num país com cerca de uma vaga de residência de acesso direto para cada dois médicos formados.

Em 23 de setembro de 2026, a Afya e a Yduqs, dona da Estácio, do Ibmec e da Idomed, assinaram um acordo para virar uma empresa só. Se a operação for aprovada, nasce o maior grupo de ensino médico do país: 5.888 vagas anuais de medicina, cerca de 38 mil alunos de medicina e negócios que vão do primeiro semestre da faculdade ao software do consultório. Abaixo, o que foi anunciado e o que muda para quem estuda, se forma ou já exerce a medicina.

A fusão ainda não está fechada. Ela depende da aprovação do Cade, o órgão que fiscaliza a concorrência, e das assembleias de acionistas das duas empresas, entre outras condições. Pelo comunicado da Yduqs, a conclusão é esperada em até 12 meses.

O que foi anunciado

No contrato, a Yduqs incorpora a Afya: a Afya deixa de existir como empresa separada, sai da Nasdaq, e o grupo combinado segue listado só na B3. Mas quem fica com a maior parte são os acionistas da Afya, com 69% do novo grupo, contra 31% dos acionistas da Yduqs. A alemã Bertelsmann, controladora da Afya, passa a ter cerca de 47%, e o presidente da Afya, Virgilio Gibbon, comanda a empresa combinada.

Somadas, as duas tiveram receita líquida de R$ 9,4 bilhões nos 12 meses encerrados em junho de 2026, com 176 campi em todos os estados. As empresas estimam R$ 2,0 bilhões a R$ 2,2 bilhões em sinergias, em valor presente, com cerca de 80% capturados em até três anos após o fechamento.

Uma em cada sete vagas privadas de medicina

O centro da operação é a graduação em medicina. A Afya tem 3.768 vagas anuais e 26,4 mil alunos; a Idomed, a marca de medicina da Yduqs, tem 2.120 vagas e 11,4 mil alunos.

Grupo Vagas por ano Alunos de medicina
Afya 3.768 26,4 mil
Idomed (Yduqs) 2.120 11,4 mil
Novo grupo 5.888 cerca de 38 mil

O Brasil tinha 50.974 vagas anuais de medicina em 494 escolas em 2025, 80% delas em instituições privadas, segundo o levantamento da FMUSP de outubro de 2025. Com essa base, o novo grupo fica com cerca de 14% das vagas privadas e 12% de todas as vagas do país. As datas das contas são diferentes (as vagas das empresas são de junho de 2026), então as duas proporções são aproximadas.

5.888 vagas de medicina por ano ficam num único grupo se a fusão for aprovada, cerca de 14% das vagas privadas do país. Fontes: comunicado da Yduqs e FMUSP.

Por que vaga de medicina virou um ativo tão disputado

A procura pela graduação segue maior que a oferta: a Afya informa ocupação de cerca de 100% das suas vagas de medicina no relatório anual de 2025. E abrir vagas novas ficou mais difícil.

Boa parte das vagas recentes veio pela Justiça. Segundo a Nota Técnica nº 1/2026 da Seres/MEC, entre 2024 e fevereiro de 2026 surgiram 7.424 vagas novas, 5.382 delas por decisão judicial. Em fevereiro de 2026, o MEC revogou o edital do Mais Médicos que abriria novos cursos privados (Portaria nº 129). Com o edital revogado, comprar vagas que já existem fica mais atrativo para quem quer crescer.

Cada vaga também é muito rentável. Na Idomed, a margem EBITDA ajustada (o que sobra da receita antes de juros, impostos, depreciação e amortização) foi de 49% no primeiro semestre de 2026: R$ 343 milhões sobre R$ 694 milhões de receita, pelo release de resultados da Yduqs. Nos hospitais associados à Anahp, a média de 2025 foi de 11,05%, segundo o Balanço Observatório Anahp. São empresas e períodos diferentes, então a comparação serve para mostrar a ordem de grandeza: a margem da Idomed é mais de quatro vezes a média dos hospitais da Anahp. No grupo combinado, a graduação em medicina deve responder por cerca de 45% da receita, pela nossa conta com os números publicados das duas empresas.

O mesmo balanço da Anahp traz o prazo médio de recebimento dos hospitais: 77 dias em 2025. Boa parte desse prazo vem dos convênios, os mesmos que atrasam o repasse do médico.

Margem de 49% na Idomed, contra 11% na média dos hospitais da Anahp (1º semestre de 2026 e ano de 2025). Fontes: Yduqs e Anahp.

Da faculdade ao consultório

Além da graduação, a Afya vende o que vem depois dela, e os números do resultado do 2º trimestre de 2026, antes da fusão, mostram o tamanho:

Na prática, o novo grupo pode acompanhar o médico em toda a carreira: forma na graduação, prepara para a residência, vende a pós e fornece o software em que ele atende e prescreve. Até o fechamento, o contrato obriga as duas empresas a seguir operando normalmente, então nada muda de imediato para quem usa esses produtos. Depois do fechamento, esses aplicativos passam a pertencer à empresa combinada. Em qualquer caso, a Lei Geral de Proteção de Dados (art. 18) garante ao usuário o direito de saber quais dados dele são tratados e com quem são compartilhados.

O que muda para quem se forma e para quem já exerce

A fusão concentra vagas que já existem, e o gargalo que vem depois da formatura continua o mesmo. Pela Demografia Médica 2025, os programas de residência de acesso direto receberam 16.189 residentes de primeiro ano em 2024, para 32.611 médicos formados em 2023. A projeção do mesmo estudo é de mais de 42 mil formandos por ano no curto prazo. Os calendários das provas de residência médica 2027 em São Paulo e no Sul mostram quanto custa entrar nessa disputa.

A qualidade da formação também pesa. Na primeira edição do ENAMED, 13.871 dos 39.256 concluintes (35%) estavam em faculdades com conceito 1 ou 2, os piores, segundo o CFM. Das 107 faculdades nessas duas faixas, 89 são privadas. Numa análise dos microdados, a Folha de S.Paulo (reproduzida pelo Jornal de Brasília) encontrou 61% de alunos proficientes nas faculdades privadas e 81% nas públicas.

Para quem já exerce, o efeito é indireto e lento: mais médicos por ano, com formação desigual, disputando plantão, convênio e vaga de especialidade. A Demografia Médica no Brasil 2025 estima 635,7 mil médicos em atividade no fim de 2025 e projeta 1,15 milhão em 2035. Em termos reais, a renda declarada pelos médicos já caiu na última década, como mostram os dados do Imposto de Renda.

O que acompanhar até o fechamento

Este texto é informativo e trata de empresas listadas em bolsa, mas não é aconselhamento. Ele não substitui um contador e não recomenda nenhum investimento a ninguém. Para investir, procure um assessor de investimentos; para dúvidas de imposto, procure um contador especializado em médicos.

Onde o MedFIN entra

O MedFIN não pertence a nenhum grupo de ensino e não vende curso, preparatório nem pós. Ele cuida da parte que vem depois da formação: a renda do médico que chega em pedaços, entre plantão, convênio e particular. O app compara o que foi cobrado com o que de fato caiu na conta, fonte por fonte, e mostra a glosa, o atraso e o calote que costumam passar batido. O MedFIN Pro custa R$ 49,90 por mês ou R$ 299,90 por ano, e o plano anual começa com 14 dias grátis antes da primeira cobrança.

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Perguntas frequentes

O que é a fusão entre Afya e Yduqs?

É um acordo assinado em 23 de setembro de 2026 para unir a Afya, um dos maiores grupos de educação médica do país pelo número de vagas, e a Yduqs, dona da Estácio, do Ibmec e da Idomed. A Yduqs incorpora a Afya, que deixa a Nasdaq, e o grupo combinado fica listado só na B3. Os acionistas da Afya ficam com 69% da nova empresa e os da Yduqs, com 31%.

A fusão entre Afya e Yduqs já está valendo?

Ainda não. A operação depende da aprovação do Cade, o órgão que fiscaliza a concorrência, e das assembleias de acionistas das duas empresas, entre outras condições. Pelo comunicado da Yduqs, a conclusão é esperada em até 12 meses após a assinatura. Até lá, as empresas seguem operando separadamente.

Quantas vagas de medicina o novo grupo terá?

São 5.888 vagas anuais de medicina: 3.768 da Afya e 2.120 da Idomed, a marca de medicina da Yduqs. Com as 50.974 vagas que o país tinha em 2025, segundo levantamento da FMUSP, o grupo fica com cerca de 14% das vagas privadas e 12% de todas as vagas de medicina do Brasil.

O que muda para quem usa o Whitebook ou o iClinic?

Nada de imediato. Até o fechamento, o contrato obriga as duas empresas a seguir operando normalmente. Depois, os aplicativos da Afya passam a pertencer à empresa combinada. Em qualquer caso, a Lei Geral de Proteção de Dados garante ao usuário o direito de saber quais dados dele são tratados e com quem são compartilhados.

Quem vai controlar o grupo depois da fusão entre Afya e Yduqs?

A alemã Bertelsmann, que já controla a Afya, passa a ter cerca de 47% da empresa combinada e o direito de indicar a maioria do conselho de administração. Os demais acionistas relevantes, a família Esteves, o fundo Advent e Chaim Zaher, indicam um conselheiro cada. O presidente da Afya, Virgilio Gibbon, comanda o grupo, e o presidente da Yduqs, Rossano Marques, fica à frente do ensino superior fora da medicina.

O Cade pode barrar a fusão entre Afya e Yduqs?

Pode. Em junho de 2017, o Cade vetou a compra da mesma Estácio pela Kroton, hoje Cogna. No país, o novo grupo teria cerca de 14% das vagas privadas de medicina, mas o Cade costuma olhar a concentração em cada cidade e região, onde a sobreposição pode ser maior.

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