Glossário do financeiro médico

Os termos que aparecem no seu repasse, na sua guia e no seu contrato — definidos sem rodeio, do jeito que se usam na prática. 35 verbetes, em ordem alfabética.

"Inclui valor da anestesia" (SUS)
Regra presente em 92% dos procedimentos cirúrgicos da tabela SIGTAP: o honorário do procedimento já engloba a anestesia, sem código separado para o anestesista. Somada ao rateio dos auxiliares (que também sai da parcela SP), muda completamente a leitura do valor de tabela de uma cirurgia no SUS. Quanto o SUS paga por uma cirurgia →
AIH
Autorização de Internação Hospitalar: o documento que autoriza e fatura uma internação no SUS. É pela AIH que o procedimento, o CID e a equipe são informados — e é nela que a conta bate ou não com a tabela SIGTAP. CID incompatível com o procedimento é recusa antes de qualquer análise de mérito.
Ver também: SIGTAP · CID-10
Auditoria médica
Análise que a operadora (ou o hospital) faz das cobranças antes ou depois do pagamento, conduzida por médicos auditores. É a auditoria que rebaixa porte, questiona quantidade de auxiliares ou nega materiais — e é contra o parecer dela que se constrói o recurso de glosa.
Autorização (senha)
Liberação prévia que a operadora emite para procedimentos que exigem análise antes da realização — a "senha". Procedimento feito sem senha válida, com senha vencida ou em quantidade acima da autorizada é glosado independentemente do mérito clínico.
Ver também: Glosa · Guia (TISS)
CBHPM
Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos, mantida pela AMB com as sociedades de especialidade. É a referência de honorários usada pelos convênios: classifica cada procedimento em um porte, sem valores em reais no próprio livro — o valor do porte é negociado em contrato e corrigido por comunicados da AMB. Tabela CBHPM: o que é e como calcular seu honorário →
Ver também: Porte (CBHPM) · UCO
CID-10
Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão — o código de diagnóstico (K80.0, I21.9) usado em guias, AIH e atestados. No SUS, o vínculo é formal: cada procedimento da tabela SIGTAP lista os CIDs que o habilitam. Nos convênios não existe tabela pública equivalente; a compatibilidade é critério de cada operadora.
Ver também: AIH · SIGTAP
CNES
Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde: o registro oficial de todo serviço de saúde do país, público ou privado. O vínculo do médico ao CNES do estabelecimento é conferido no faturamento do SUS — produção lançada por profissional sem vínculo ativo no CNES do serviço é motivo de rejeição.
Ver também: AIH · Habilitação (SUS)
Competência
O mês de referência de uma tabela ou de um faturamento. A tabela SIGTAP é publicada por competência mensal (a de agosto de 2026 vale para agosto de 2026), e o faturamento hospitalar também se organiza assim. Ao citar um valor do SUS, a competência é parte da informação.
Ver também: SIGTAP
Convênio (operadora)
Nome corrente dos pagadores da saúde suplementar: as operadoras de planos (Unimed, Bradesco Saúde, SulAmérica, Amil) e, por extensão no dia a dia, as autogestões públicas como o IPE Saúde. O convênio paga o médico pelo que está em contrato — em geral uma edição da CBHPM com valor de porte negociado — e em prazos que variam de 30 a 90 dias ou mais. Prazos de pagamento dos convênios →
Ver também: CBHPM · Porte (CBHPM)
Cooperativa médica
Modelo em que os médicos são sócios da operadora, como as Unimeds. O cooperado atende pela tabela da cooperativa, recebe pela produção e participa das sobras (ou perdas) do exercício. A remuneração mistura honorário e resultado societário, o que torna o acompanhamento por fonte ainda mais necessário.
Coparticipação
Modelo de plano em que o paciente paga uma fração de cada atendimento usado. Para o médico credenciado, não muda o valor do honorário contratado — muda o comportamento do paciente, que tende a usar menos o plano e a questionar mais cada procedimento.
Credenciamento
O contrato que vincula o médico (ou a clínica) a uma operadora ou a um hospital, definindo tabela, valor de porte, prazos de pagamento e regras de reajuste. É o documento que responde "quanto esse convênio me paga" — não a CBHPM em abstrato.
Faturamento
O envio formal da cobrança ao pagador: as guias TISS pro convênio, a AIH no SUS, a nota do particular. Entre a produção e o dinheiro em conta existem o faturamento, o prazo contratual e a auditoria — cada etapa com sua chance de perda.
Ver também: Produção · Guia (TISS) · AIH
Glosa
Recusa, total ou parcial, do pagamento de um procedimento cobrado de um convênio ou do SUS. O repasse chega menor do que o faturado, com ou sem justificativa detalhada. Costuma ser classificada em administrativa (erro de preenchimento, senha, prazo), técnica (divergência clínica apontada pela auditoria) e linear (corte percentual aplicado sobre a fatura). Glosa de convênio: por que o repasse vem menor →
Guia (TISS)
Formulário padronizado do TISS que registra e cobra um atendimento: guia de consulta, guia de SP/SADT (serviços profissionais e diagnósticos) e guia de internação são as mais comuns. Erro de preenchimento de guia é a origem de boa parte das glosas administrativas.
Ver também: TISS · Glosa
Habilitação (SUS)
Credencial formal que um serviço tem junto ao Ministério da Saúde para executar determinadas linhas de cuidado (Centro de Trauma, alta complexidade em oncologia, por exemplo). Na tabela SIGTAP, a habilitação pode aumentar o honorário: há procedimentos que pagam 20% a 80% a mais quando realizados em serviço habilitado.
Ver também: SIGTAP · SP, SH e SA
Honorário médico
A remuneração do ato médico em si, separada de taxas de sala, materiais e diárias. No convênio, sai do porte CBHPM negociado; no SUS, é a parcela SP da tabela SIGTAP; no particular, é o valor combinado com o paciente. A mesma cirurgia costuma ter três honorários diferentes conforme a fonte.
Ver também: Porte (CBHPM) · SP, SH e SA
OPME
Órteses, Próteses e Materiais Especiais — placas, parafusos, stents, lentes e afins. São cobrados à parte do honorário, com autorização própria, e concentram uma parcela desproporcional das glosas e das negociações entre hospital, operadora e fornecedor.
Pacote (cirúrgico)
Valor fechado negociado para o conjunto de um procedimento: honorários, taxas e, conforme o acordo, materiais. Simplifica a cobrança, mas transfere risco pra quem opera: intercorrência, tempo a mais de sala ou material extra saem de dentro do mesmo valor. Comum no particular e na negociação direta com hospitais.
Particular
Atendimento pago diretamente pelo paciente, sem operadora no meio. O valor é livre, combinado entre as partes, e costuma entrar à vista ou em poucos dias — em contraste com os 30 a 90 dias do convênio. É a fonte com melhor prazo e maior variabilidade de volume.
Plantão
Jornada contratada por período (12h, 24h) em pronto-socorro, UTI ou retaguarda. A comparação correta entre propostas é sempre pelo valor por hora, não pelo valor cheio: um plantão de 24h raramente paga o dobro do de 12h do mesmo serviço. Quanto ganha um médico por plantão →
Ver também: Sobreaviso
Porte (CBHPM)
Medida de complexidade que a CBHPM atribui a cada procedimento: 14 portes, cada um com subportes A, B e C (6C, 8A, 10B). O porte não é preço — é o "tamanho" do procedimento; o valor em reais de cada porte vem do contrato com a operadora. Rebaixar o porte na auditoria é uma das formas mais comuns de glosa. Porte cirúrgico: o porte das cirurgias mais comuns →
Ver também: CBHPM · Porte anestésico · Glosa
Porte anestésico
Escala paralela da CBHPM, com oito portes anestésicos, que define o honorário do anestesiologista para cada procedimento. É independente do porte cirúrgico: o anestesista fatura pelo porte anestésico, o cirurgião pelo porte do procedimento. No SUS a lógica é outra: na maior parte dos códigos cirúrgicos, o valor da anestesia já está incluído no honorário do procedimento.
Ver também: Porte (CBHPM) · SP, SH e SA
Produção
O conjunto do que o médico realizou num período: cirurgias, consultas, plantões, exames, laudos. Produção não é receita — vira dinheiro só depois do faturamento, do prazo do pagador e das glosas. Controlar produção separada de recebimento é o que permite saber quanto ainda está na rua.
Ver também: Repasse · Faturamento
Recurso de glosa
Contestação formal de uma glosa junto à operadora, com a documentação que sustenta a cobrança original. Os prazos e o rito variam por contrato e pelo padrão TISS. A Resolução CFM nº 2.448/25 reforçou o direito do médico de recorrer com fundamentação clínica.
Ver também: Glosa · TISS
Reembolso
Modalidade em que o paciente paga o médico particular e pede a devolução (parcial ou total) à operadora, conforme a tabela do plano. Permite atender sem credenciamento, mas transfere ao paciente o risco do valor devolvido — e reembolso em atraso vira pressão sobre o consultório.
Repasse
Valor que efetivamente chega ao médico depois que o hospital, a clínica ou a cooperativa recebe do pagador e desconta taxas, impostos e a própria margem. A diferença entre o produzido e o repassado é onde moram glosas, deduções administrativas e atrasos.
Ver também: Glosa · Produção
SIGTAP
Tabela oficial do SUS (Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM), mantida pelo DATASUS e atualizada por competência mensal. Define, para cada procedimento, o valor, as regras de cobrança e os CIDs que o habilitam. Consultar a tabela: quanto o SUS paga ao médico →
Ver também: SP, SH e SA · Competência · CID-10
Sobreaviso
Regime em que o médico fica disponível fora do hospital, acionável em caso de necessidade. Costuma pagar uma fração do plantão presencial pela disponibilidade, com valor adicional (ou por procedimento) quando o acionamento acontece. As regras variam por contrato e por instituição.
Ver também: Plantão
SP, SH e SA
As três parcelas de um procedimento na tabela do SUS. SP é o serviço profissional (o ato médico — que remunera a equipe inteira, com rateio de auxiliares e, em 92% dos códigos cirúrgicos, a anestesia inclusa). SH é o serviço hospitalar, pago à instituição. SA é o serviço ambulatorial. Um procedimento pode ter uma, duas ou as três parcelas. Quanto o SUS paga por uma cirurgia →
Ver também: SIGTAP · AIH
Tabela própria
Tabela de valores criada pela própria operadora ou pelo hospital, em vez de uma referência externa como a CBHPM. O padrão TISS reserva códigos de tabela específicos para isso. Na prática, contrato baseado em tabela própria exige atenção redobrada: os valores e os critérios de reajuste são unilaterais do pagador.
Ver também: CBHPM · Credenciamento
Taxa de sala
Cobrança do hospital pelo uso do centro cirúrgico e da estrutura (equipe de enfermagem, equipamento, recuperação). Não é honorário: no particular, costuma ser cobrada do paciente à parte do honorário do cirurgião e do anestesista; no convênio, entra na conta hospitalar. Confundir taxa de sala com honorário é fonte clássica de mal-entendido em orçamento de cirurgia.
TISS
Padrão obrigatório de Troca de Informação em Saúde Suplementar, definido pela ANS. É o formato único de guias, arquivos e mensagens entre quem presta o serviço e a operadora — a guia de consulta, a guia SP/SADT e a de internação são componentes dele. Preenchimento fora do padrão é motivo clássico de glosa administrativa.
Ver também: TUSS · Guia (TISS) · Glosa
TUSS
Terminologia Unificada da Saúde Suplementar: a padronização de códigos e nomes que a ANS impõe na comunicação entre prestadores e operadoras. A tabela 22 (procedimentos médicos) tem cerca de 6 mil códigos derivados da CBHPM. A TUSS é só dicionário — não traz nenhum valor; quem define quanto cada código paga é o contrato.
Ver também: TISS · CBHPM
UCO
Unidade de Custo Operacional da CBHPM. Cobre o custo do consultório e da estrutura envolvida no procedimento (equipamento, manutenção, pessoal), separado do honorário em si. Cada procedimento prevê uma quantidade de UCO, e o valor unitário é negociado em contrato e atualizado por comunicado da AMB.
Ver também: CBHPM · Porte (CBHPM)

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Definições de autoria do MedFIN (Dr. Marcelo Turra, CRM/RS 50578), com base na prática e nas fontes oficiais: CBHPM (AMB), padrão TISS/TUSS (ANS) e tabela SIGTAP (DATASUS).