Quanto o SUS paga por uma cirurgia? Veja os números, procedimento por procedimento
Na tabela SIGTAP do SUS (competência agosto/2026), a colecistectomia videolaparoscópica paga R$ 245,99 de honorário médico e a aberta paga R$ 356,01 — operar por vídeo vale 31% menos. Na apendicectomia é o inverso: a por vídeo paga 11% a mais.
Dos 8 pares vídeo × aberta com nome idêntico na tabela, 4 pagam menos por vídeo (a hernioplastia epigástrica chega a −49%), 3 pagam mais e 1 empata. Não há critério técnico publicado unificando essas diferenças.
92% dos procedimentos cirúrgicos da tabela (1.371 de 1.488) já incluem o valor da anestesia no honorário, e o rateio com auxiliares sai da mesma parcela SP.
O valor total se divide em SP (ato profissional), SH (hospital) e SA (ambulatorial). Na colecistectomia por vídeo, o hospital recebe R$ 746,46 — três vezes a parcela do médico.
Uma colecistectomia videolaparoscópica paga R$ 245,99 ao médico na tabela do SUS. A mesma cirurgia aberta paga R$ 356,01. Operar por vídeo, que exigiu treinamento a mais e equipamento que a maioria dos serviços demorou anos pra ter, vale 31% a menos.
Antes que alguém conclua que o SUS "desconta a tecnologia": na apendicectomia é o contrário. A aberta paga R$ 161,03 e a videolaparoscópica paga R$ 178,43, 11% a mais. Não há uma regra. Há uma tabela construída em camadas, competência após competência, e este artigo mostra o que ela diz de verdade sobre o honorário do cirurgião.
Todos os valores vêm da tabela oficial SIGTAP (DATASUS), competência agosto de 2026. Você confere qualquer um deles, e os demais 1.771 procedimentos com honorário médico, na nossa consulta de códigos SUS.
As três parcelas: SP, SH e SA
Cada procedimento no SUS tem o valor dividido em até três partes:
- SP (serviço profissional) é o valor do ato médico. É a coluna que interessa a quem opera.
- SH (serviço hospitalar) é o que o hospital recebe.
- SA (serviço ambulatorial) cobre procedimentos sem internação.
Na colecistectomia por vídeo, o pacote inteiro vale R$ 992,45: R$ 245,99 de SP e R$ 746,46 de SH. O hospital recebe três vezes o que recebe o cirurgião.
E o SP não é "o valor do cirurgião". Ele remunera o ato profissional como um todo: quando há equipe, o rateio com os auxiliares sai dessa mesma parcela. E tem o detalhe que muda toda a leitura da tabela.
92% dos procedimentos cirúrgicos da tabela já incluem o valor da anestesia no procedimento. Dos 1.488 códigos cirúrgicos com honorário médico, 1.371 carregam a regra "inclui valor da anestesia". Os R$ 245,99 da colecistectomia por vídeo cobrem cirurgião, auxiliares e anestesia.
Vídeo contra aberta: os 8 pares comparáveis
A tabela tem 26 procedimentos por videolaparoscopia. Em 8 deles existe o par exato por via aberta, com o mesmo nome. A comparação, direto da tabela:
| Procedimento | Aberta (SP) | Vídeo (SP) | Diferença |
|---|---|---|---|
| Hernioplastia epigástrica | R$ 214,91 | R$ 110,01 | −49% |
| Colecistectomia | R$ 356,01 | R$ 245,99 | −31% |
| Gastrostomia | R$ 120,23 | R$ 107,73 | −10% |
| Miomectomia | R$ 184,97 | R$ 183,30 | −1% |
| Salpingoplastia | R$ 146,65 | R$ 146,72 | 0% |
| Apendicectomia | R$ 161,03 | R$ 178,43 | +11% |
| Gastrorrafia | R$ 120,23 | R$ 140,02 | +16% |
| Pancreatectomia parcial (oncologia) | R$ 853,47 | R$ 993,62 | +16% |
Quatro pares pagam menos por vídeo, três pagam mais, um empata no centavo. A hérnia epigástrica por vídeo vale metade da aberta; a pancreatectomia oncológica por vídeo vale 16% a mais. Se existe um critério técnico unificando essas escolhas, ele não está publicado.
A explicação mais provável é histórica: os valores entram na tabela por portarias diferentes, em épocas diferentes, e não passam por uma revisão sistemática que os deixe coerentes entre si. O resultado é que a "lógica" do honorário de um procedimento depende de quando ele foi incorporado ou reajustado pela última vez, não da complexidade relativa dele.
Na CBHPM, a régua dos convênios, o padrão é outro: a via videolaparoscópica em geral tem porte maior que a aberta. O porte da colecistectomia sobe de 8C para 9C quando é por vídeo. As duas tabelas que regem a remuneração cirúrgica no Brasil discordam até na direção do ajuste.
Onde o mesmo código paga mais
Um pedaço pouco conhecido da tabela: o incremento por habilitação. Certos procedimentos pagam um percentual a mais quando o hospital tem uma habilitação específica. Um enxerto dermo-epidérmico rende 80% a mais de honorário num Centro de Trauma tipo I. São 649 procedimentos com algum incremento, quase sempre de 20%, 35%, 50% ou 80%.
Pra quem faz plantão de trauma ou trabalha em serviço habilitado, isso muda a conta do mês, e quase ninguém confere se o incremento veio.
O CID abre e fecha a porta
Cada procedimento da tabela lista os diagnósticos (CID-10) que o habilitam. A colecistectomia por vídeo aceita 20 CIDs, todos do capítulo de vesícula e vias biliares: K80.0, K80.1, K81.0 e assim por diante. AIH com CID fora da lista é glosa na certa, antes de qualquer discussão de mérito.
Esse vínculo oficial existe para 2.914 procedimentos e é público, mas o portal do DATASUS não facilita a consulta. Na nossa página de códigos dá pra buscar pelo CID: digite K80 e veja tudo que esse diagnóstico habilita, com os valores.
O que fazer com esses números
A tabela do SUS é o piso de referência do mercado. Convênio nenhum paga por ela, mas todo gestor de hospital a conhece de cor, e ela é a base do repasse quando você atende SUS por credenciamento ou plantão em hospital público que fatura por AIH.
Três usos práticos:
- Conferir o repasse. Se o hospital fatura sua cirurgia por AIH e te repassa um percentual do SP, você só sabe se o valor veio certo conhecendo o SP cheio e as regras (anestesia inclusa? incremento de habilitação?).
- Negociar sabendo o piso. Uma proposta de R$ 300 por colecistectomia ganha outro contorno quando você sabe que o próprio SUS paga R$ 356 pela aberta.
- Comparar as suas fontes. A mesma cirurgia tem um valor no SUS, outro no convênio (pelo seu contrato) e outro no particular. Registrar os três lado a lado é o único jeito de enxergar qual fonte sustenta sua renda. É o que o MedFIN faz: cada procedimento lançado com convênio, valor e recebimento, e a diferença aparece no fim do mês.
Os valores citados são da competência agosto de 2026 e mudam mensalmente. A fonte é a tabela SIGTAP oficial, do Ministério da Saúde.
Perguntas frequentes
Quanto o SUS paga por uma colecistectomia?
Na competência de agosto de 2026 da tabela SIGTAP, a colecistectomia aberta (código 0407030026) paga R$ 356,01 de honorário médico (SP) e a videolaparoscópica (0407030034) paga R$ 245,99 — com o valor da anestesia já incluído em ambas. A parcela do hospital (SH) é separada: R$ 640,33 na aberta e R$ 746,46 na por vídeo. Os valores mudam por competência mensal.
Por que a cirurgia por vídeo paga menos que a aberta no SUS?
Não há critério técnico publicado. Nos 8 pares comparáveis da tabela, 4 pagam menos por vídeo (colecistectomia −31%, hernioplastia epigástrica −49%), 3 pagam mais (apendicectomia +11%, gastrorrafia e pancreatectomia oncológica +16%) e 1 empata. A explicação mais provável é histórica: os valores entram por portarias de épocas diferentes, sem revisão sistemática de coerência. Na CBHPM, a régua dos convênios, a via por vídeo em geral tem porte maior que a aberta.
O honorário do SUS inclui o anestesista e os auxiliares?
Na maioria dos procedimentos cirúrgicos, sim. 92% dos códigos cirúrgicos com honorário médico (1.371 de 1.488) carregam a regra "inclui valor da anestesia", e a parcela SP remunera o ato profissional como um todo — quando há equipe, o rateio com os auxiliares sai desse mesmo valor. É por isso que o SP de uma cirurgia não pode ser lido como o valor que o cirurgião leva pra casa.
Onde consulto quanto o SUS paga por cada procedimento?
A fonte oficial é o SIGTAP (sigtap.datasus.gov.br), do DATASUS, atualizado por competência mensal. Para uma consulta mais direta, a página de códigos do MedFIN (medfinapp.com.br/codigos) permite buscar por nome, código ou CID-10 e mostra o honorário médico, a parcela do hospital, os CIDs que habilitam cada procedimento e onde ele paga mais.
Esses valores valem para convênio?
Não. A tabela SIGTAP vale para o SUS. Convênio paga pelo que está no contrato de cada médico ou serviço com a operadora — em geral uma edição da CBHPM com valor de porte negociado. A mesma cirurgia costuma ter três valores diferentes: o do SUS, o do convênio e o do particular. Acompanhar os três lado a lado é a forma de saber qual fonte sustenta a renda.
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